Aos 35 anos, Paloma visita a Galicia pela primeira vez com ganas de se colocar em contato com suas raízes ancestrais galegas. O descobrimento da terra de seus antepassados se deu através da investigação de diversos documentos do começo do século XX, apenas peças do quebra-cabeça que deu início a esta viagem.

Fragmentos de memórias que se mantiveram no arquivo familiar de sua avó Joana Ares Arias, que no Brasil foi chamada de Joana Prieto Ayres por uma sucessão de confusões nos cartórios de registro e pelas tormentas da vida da imigrante galega Genoveva Gallego Ares, bisavó materna de Paloma, abriram os portais de acesso a um magma poético ancestral muitíssimo potente. Os documentos originais se encontram em sua totalidade e completamente preservados no Archivo Provençal de Ourense.

As buscas e descobertas da autora se sucedem por meio de uma série de encontros surreais e sincrônicos e, por que não dizer, místicos... "eu non creo en meigas, mais habelas hainas"; que a levaram ao reencontro de memórias e à casa de pedra onde viveram seus bisavós e tataravós galegos no povoado de Florderrey das Portas Abertas e das pedras livres, local onde Paloma estuda possibilidades e parcerias para transformar num Centro Cultural. 

Como sequência dessa primeira viagem Paloma iniciou um processo criativo que batizou de "Trago Longo", que inclui a produção e lançamento de um livro escrito em galego, a produção de uma série áudiovisual com elementos em galego e em português brasileiro, etc. 

A partir da conexão poética dos discursos de personagens sui generis que  foi encontrando e conhecendo ao longo do caminho e através deles desbravando os mistérios que impregnaram a subjetividade de quatro gerações de sua família, Paloma desde então segue numa viagem de conexão passado, presente e futuro e pretende desenvolver pontes culturais e artísticas entre os dois países.

                                                                                                                              Continua...